O CEsE surge de uma constatação simples. A obra de Allan Kardec é frequentemente invocada no discurso espírita corrente, mas raramente é estudada com a profundidade que o seu lugar central pressupõe.
Entre quem se identifica com o Espiritismo, o estudo das obras de Kardec não é a regra. Por vezes, o que circula como conhecimento espírita assenta em produção posterior, cuja relação com o corpus original raramente é examinada criticamente.
Daqui decorrem dois problemas. Primeiro, aceitam-se como basilares afirmações que nem sempre foram verificadas nas obras de referência. Segundo, fica comprometida qualquer avaliação rigorosa do que veio depois, pois sem conhecer a base, dificilmente se consegue distinguir desenvolvimento de reformulação, ou reformulação de afastamento.
Isto não significa que o conhecimento espírita esteja contido e fechado nas obras de Kardec. O próprio quadro doutrinário reconhece-se progressivo. Mas progressividade não dispensa um ponto de partida. Sem o domínio do corpus original, não há terreno onde apoiar o exame crítico, a comparação histórica ou a avaliação doutrinária.
É neste lugar específico que o CEsE se inscreve. Não como autoridade normativa nem como instância confessional ou órgão de tutela interpretativa. Apenas como espaço de estudo crítico do corpus de referência delimitado no Artigo 14.º da Carta Identidade, princípios e metodologia do projeto.
Propõe-se ao leitor um trabalho simples na formulação e exigente na execução: regressar às fontes, estudar Kardec diretamente e separar o que está nas obras daquilo que lhes foi acrescentado, desenvolvido ou atribuído depois.

